Para a comunidade escolar de Borrazópolis, no Vale do Ivaí, 2025 começou em clima de celebração. Três estudantes do Ensino Médio da rede estadual conquistaram medalhas de ouro na primeira edição da Olimpíada Brasileira de Inovação, Ciência e Tecnologia (OBICT), competição de alcance nacional, que desafiou jovens em diversas áreas do conhecimento em ciências e tecnologia.
Idealizada pela startup gaúcha EduSpace, a OBICT foi realizada no segundo semestre de 2024, em parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e com apoio do Governo do Paraná, por meio das secretarias da Inovação, Modernização e Transformação Digital e da Educação. Iniciado em junho, o evento teve 36.500 inscritos de todo o País, dos quais 3.118 do Paraná, Estado com a maior participação.
Os medalhistas de ouro, Gabriel Telles, João Paulo Machado Filho e Kauê dos Santos, cursam o 1º ano do Ensino Médio no Colégio Estadual José de Anchieta, mas foram premiados na categoria Ensino Fundamental, pelo desempenho nas provas aplicadas em 2024, quando então estavam matriculados na Escola Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco, também em Borrazópolis.
Dividida em quatro fases, a competição aconteceu entre junho e dezembro do ano passado. Os participantes foram desafiados a responder questões sobre componentes curriculares como Física, Biologia, Matemática e Química, além de tópicos avançados como Inteligência Artificial, aprendizagem de máquina, nanotecnologia, genética, computação quântica, energias renováveis e sustentabilidade, entre outros.
Com incentivo da direção, outros 13 estudantes da Escola Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco também participaram da Olimpíada. “É motivo de muito orgulho nossos alunos terem conquistado um resultado tão significativo na OBICT. Demonstra que estamos no caminho certo no processo de ensino e aprendizagem, e que estamos incentivando a pesquisa científica, a leitura e o conhecimento”, celebrou a diretora da escola, Lisandra Câmara.
Desde 2023, a instituição oferta turmas de educação em tempo integral, o que possibilitou a ampliação de componentes curriculares como Robótica e Pensamento Computacional. “Parte dos conteúdos avaliados nas provas já haviam sido estudados em sala, e esse embasamento contribuiu para que eles tivessem um bom desempenho na prova. Esse sucesso vem reconhecer o trabalho de todos os profissionais da escola, que não medem esforços para sempre fazer o melhor”, acrescentou.
RECONHECIMENTO – Os estudantes ficaram surpresos ao saberem que haviam conquistado, juntos, a medalha de ouro na OBICT. Com idades entre 14 e 15 anos, eles se tornaram os primeiros paranaenses a alcançar a premiação, logo na edição inaugural da competição.
“Quando eu descobri que era medalhista de ouro, fiquei sem reação. Pensei: ‘nossa... medalhista de ouro do Paraná!’ Aí eu descobri que os meus amigos, que estudam comigo, foram medalhistas de ouro também”, relatou Santos.
“Fiquei muito feliz, não só de ser medalhista, mas também com meu desempenho a cada fase que passava. E, principalmente, pelos meus amigos terem ganhado junto comigo”, disse Telles.
Ainda juntos, os colegas iniciaram o Ensino Médio no Colégio Estadual José de Anchieta. A Escola Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco, onde estudaram até o último ano letivo, oferta turmas somente até o 9º ano do Ensino Fundamental.
“A escola nos apresentou a Olimpíada e sempre nos incentivou, principalmente, em matérias como robótica e ciências. Fiquei impressionado por ter passado e, ainda mais, por ter sido medalhista de ouro”, afirmou Machado.
“Na escola, sempre nos falaram que o futuro é ciência e tecnologia. Os professores nos incentivaram bastante”, acrescentou Santos.
A continuidade na rede estadual de ensino vai permitir que os jovens talentos aprofundem os conhecimentos em inovação, ciência e tecnologia. Segundo os estudantes, a medalha conquistada na OBICT também serve como motivação para persistir nos estudos e, futuramente, escolher uma profissão. “Pelo que eu estudei para a Olimpíada, gostei bastante do conteúdo. Espero que, se eu for bom em inovação, ciência e tecnologia, consiga um trabalho nessa área no futuro”, disse Telles.
PROTAGONISMO PARANAENSE – Além dos três ouros, o Paraná conquistou duas pratas e cinco bronzes, totalizando dez medalhistas na primeira edição da OBICT. A competição reuniu alunos de redes públicas e privadas de todo o País, divididos em três categorias - Ensino Fundamental (anos finais) e Ensino Médio, ambas para estudantes, e uma classe aberta a qualquer pessoa, incluindo familiares e amigos dos alunos.
Vinculada ao Núcleo Regional de Educação (NRE) de Apucarana, Borrazópolis se destacou com a participação de 17 estudantes – 16 da Escola Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco. Ponta Grossa, com 16 inscritos, e Foz do Iguaçu, com oito, completaram o pódio entre os municípios paranaenses.
“Tudo isso é resultado do trabalho contínuo direcionado à inovação e à inclusão de componentes curriculares que possibilitam o acesso a tais áreas do conhecimento”, apontou o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda. “São componentes como programação e robótica, que não somente destacam nossos estudantes em competições como a OBICT, mas também na colocação de nossos futuros profissionais no mercado de trabalho".
Os números comprovam o protagonismo paranaense na área. Mais de 160 mil alunos da rede estadual de educação têm acesso a práticas de robótica, que integra a grade curricular desde 2022. O índice foi alcançado após investimentos na ordem de R$ 30 milhões para a compra de kits de robótica, realizado no final do ano passado. Já o componente de programação alcança cerca de 500 mil estudantes de escolas estaduais e soma mais de 1 milhão de atividades realizadas.
Conforme o secretário estadual da Inovação, Alex Canziani, o resultado expressivo do Paraná na competição é reflexo do trabalho que vem sendo realizado no Estado frente ao fomento da inovação e da tecnologia. “Esse resultado não poderia ser diferente, uma vez que nos últimos anos mais e mais o Paraná tem se destacado a nível nacional e internacional como referência no âmbito da inovação. Somos um celeiro de jovens que tem a mente voltada para o futuro, que querem estar sempre aprendendo, evoluindo e criando”, destacou.
OBICT – A Olimpíada Brasileira de Inovação, Ciência e Tecnologia (OBICT) é uma competição aberta e gratuita, que busca estimular o interesse dos jovens pelas ciências, promover a troca de experiências e identificar talentos. Em sua edição inaugural, foram distribuídas 51 medalhas de ouro, 81 de prata, 141 de bronze e 51 menções honrosas. Para receber a medalha física, os medalhistas devem preencher um formulário online até esta sexta-feira (28). Mais informações estão disponíveis no site da OBICT.